O futuro decide-se em 6 meses

by Miguel Romão

No passado sábado PS e CDU apresentaram as suas candidaturas às eleições autárquicas do próximo Outubro.

Mais do que uma mera renovação de mandatos, o sufrágio vai ser o mais importante do género nos últimos 30 anos. Com a recente legislação que limita o número de mandatos consecutivos a três, 2013 ficará marcado pela extinção dos dinossauros autárquicos, obrigando a uma já tardia renovação.

A Chamusca é um exemplo paradigmático. Sérgio Carrinho preside à Câmara Municipal pela CDU desde 1979.

Muito aconteceu ao longo destes 34 anos. Veio o FMI, vieram os fundos europeus, o euro, a crise, e de novo o FMI. Houve o Cavaquismo e o Guterrismo. Sócrates entrou e saiu, emigrante. Há já 22 anos que o Muro de Berlim foi deitado abaixo. E a Chamusca, essa, mantém-se igual a si própria e assim se conservou com o passar do tempo. Incólume, paralisada perante a azáfama da Globalização e demais modernices. Imóvel. Como na velhice. Aquela em que já pouco separa os setenta dos noventa. Ora deitada ora estendida. Nos momentos de maior fulgor, sentada. Presa nesta madorna, a Chamusca parece um posto avançado do vasto Alentejo.

Custa escrevê-lo mas é verdade. É a mais pura das verdades.

Pouco nos separa desta realidade. É, lá está, apenas uma questão de tempo. Isto, claro, se nada for feito. Se o status quo for mantido. Ou, de forma mais directa, se os responsáveis pelo actual estado de coisas forem premiados pelo seu brilhante desempenho com a recondução no poder por mais quatro anos. A escolha é clara.

É hora de mudar! Já é altura de dar a oportunidade a outros para tentarem dar a volta à situação. De preferência, pessoas que não tenham ajudado a cavar este buraco. Não é pessoal, atenção, simplesmente acredito que é loucura fazer a mesma coisa vezes sem conta esperando obter resultados diferentes.

Os actuais responsáveis tiveram tempo de sobra para testar as suas ideias e mostrar resultados. Hoje, infelizmente para todos nós, não têm ideias novas e muito menos têm resultados minimamente aceitáveis para mostrar.

É momento de deixarmos de adiar a mudança que tarda. Daqui a 6 meses a Chamusca terá uma oportunidade única, porventura, a derradeira, de tentar inverter o ciclo actual. Cabe-nos a nós decidir se a queremos agarrar ou não.

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