“Fomento” significa farsa ou fiasco?

by Miguel Romão

Não é assim que vamos lá. Não, não é com as reuniões extraordinárias e conferências de imprensa do costume, não é com os grandiosos planos e programas e pacotes de medidas de sempre.

Não é assim. Não é a atirar dinheiro para cima dos problemas que eles se resolvem. Nem tão pouco o conseguimos por enumerar todos os problemas como prioritários ou todos os sectores económicos como estratégicos.

Dois dos maiores empecilhos ao desenvolvimento económico e a criação de empregos no nosso país são a desorganização e a lentidão das administrações judicial e fiscal. São funções basilares do Estado e o mau serviço que prestam deve-se única e exclusivamente à incompetência dos sucessivos governos de ambas as cores. São incapazes de desempenhar eficazmente as funções de soberania mas insistem em eleger ‘clusters’ e em substituir os empresários no seu trabalho.

Por outro lado, perante tamanha impotência da Administração Pública, os verdadeiros sectores estratégicos atrofiam a economia a seu belprazer. Seja o sector financeiro seja o energético, meia dúzia de empresas lesam sucessivamente o erário público e o restante tecido empresarial e permanecem impunes pois o Executivo está somente focado em esmagar os custos laborais, promovendo a pobreza em larga escala.

A única dúvida que me resta é se se trata de manifesta incompetência ou apenas de cinismo. Seja como for, a minha proposta é a mesma: façam como Cavaco e calem-se. Sempre é melhor.

PS: é curioso, “fomento industrial” é quase um arcaísmo do tempo da outra senhora… como quem diz, do de Salazar e Caetano.

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