“r-i-g-o-r-o-s-a-m-e-n-t-e a-o c-e-n-t-r-o”

by Miguel Romão

Excelente artigo que muito ajuda a compreender a arrumação ideológica (ou falta dela) dos partidos políticos em Portugal.

Habituei-me, não sei se por influência das publicações norte-americanas, a distinguir entre os campos social e económico/fiscal do espectro político, como se de uma grelha se tratasse. Julgava também que a diferenciação entre esquerda e direita se fazia inicialmente pelas posições assumidas no primeiro e que, com o advento da Industrialização e o passar do tempo, o campo económico passara a ser o critério de distinção. Todavia, em boa hora nos chegam estas palavras.

A tensão no seio do governo é elucidativa acerca da promiscuidade (ou se preferirem, da pluralidade) da direita. Era previsível e decorre do desenraizamento completo do liberalismo clássico que move a trupe de Passos Coelho e que esbarra por completo no Conservadorismo do CDS, ainda que fosse mais verdadeiro referir o contraste entre o radicalismo adolescente do PM e a inteligente prudência de Portas.

Não é que se vislumbre qualquer tipo de clarificação nos próximos anos já que o liberalismo irá certamente hibernar a partir de 2015 durante muito e bons anos e que o PC continuará a ser o único partido absolutamente claro nas suas ideias. Acredito é que ter a noção disso pode vir a ajudar.

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