Paralelo ao debate

by Miguel Romão

Quanto ao resultado do debate poucas dúvidas restam. Chega de chover no molhado. O interessante é o pós-debate. O mais interessante são as escolhas das televisões para o comentar ou as capas dos jornais de hoje. O debate decisivo não mais o foi. Não esclareceu. Foi irrelevante.

Se o Correio da Manhã (por sondagem), o Diário de Notícias e o Económico dão vitória a Costa, todos os outros optam por falar de empates, do economês e de Sócrates. Não é por acaso. Assim como não é por acaso que surgem sondagens de 150 e 300 pessoas para dar vitórias à maioria, uma delas pelo Negócios (grupo Cofina, dono do CM e propriedade de Paulo Fernandes, visita regular da São Caetano à Lapa). Assim como não é por acaso que as peças do grupo Impresa (Pinto Balsemão, who else?), quer em artigos do Expresso quer em peças da SICN demonstraram uma atenção muito selectiva ao debate de Portas com Catarina Martins.

E parte do problema do PS em se impor definitivamente tem passado por aqui. A imprensa que não controla minimamente. Os spin doctors que não tem. É certo que num mundo ideal os jornais de referência são totalmente livres e independentes mas na prática bem que o PS se podia ter esforçado por passar a sua versão da história ao longo da legislatura. Hoje pisaria em chão firme e Costa já não teria de andar a espantar fantasmas em vésperas de eleições. Sempre teríamos mais presente a forma como o último governo caiu e o papel de Marco António Costa no processo.

Enfim, sejamos justos: a História não se escreve com grande detalhe. O que importa é que, chegados à Hora H, a narrativa da coligação caiu como um castelo de cartas, trazendo alguma justiça ao processo.

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